O livro “Os Museus e o Património Cultural Imaterial” tem agora versão digital

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O livro “Os Museus e o Património Cultural Imaterial: Estratégias para o Desenvolvimento de Boas Práticas”, publicado em 2011 pela Universidade de Évora através da editora Colibri tem agora nova vida em versão digital, totalmente disponível na plataforma OpenEditionBooks: http://books.openedition.org/cidehus/2476

Novo livro é dedicado às questões da diversidade cultural nos museus

Muito em breve!

“Museus e Diversidade Cultural: Da Representação aos Públicos” é o quarto volume a ser lançado no âmbito da colecção “Estudos de Museus”, uma edição da Direção-Geral do Património Cultural em parceria com a editora Caleidoscópio. O livro resulta da tese de doutoramento de Ana Carvalho apresentada à Universidade de Évora em 2015.

O lançamento teve lugar no passado dia 20 de Setembro no Museu Nacional de Etnologia, em Lisboa. A apresentação do livro ficou a cargo de José Manuel Sobral (Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa).

Depois de um primeiro livro dedicado ao papel dos museus na salvaguarda do Património Cultural Imaterial esta publicação – Museus e Diversidade Cultural: Da Representação aos Públicos – explora o potencial dos museus com colecções etnográficas na relação com a contemporaneidade, com as questões da identidade nacional, as identidades múltiplas, o diálogo intercultural e o contributo das comunidades e grupos associados à imigração na construção de narrativas contemporâneas sobre património (material e imaterial).

Sinopse

“Na Europa a realidade sociodemográfica das cidades tem vindo a mudar substancialmente nas últimas décadas devido à intensificação dos fluxos migratórios e dos efeitos da globalização. Hoje os espaços urbanos são cada vez mais multiculturais, evidenciando diferentes expressões culturais, mas também tensões várias. Como podem os museus contribuir para a discussão sobre diversidade cultural e migração? Que políticas museológicas desenvolvem em torno da diversidade cultural e do diálogo intercultural? Que contributos e iniciativas promovem?

Este livro explora as relações que os museus estabelecem com comunidades e grupos associados à imigração, a partir de três estudos de caso: o Museum of World Culture (Suécia), o World Museum Liverpool (Reino Unido) e o Museu Nacional de Etnologia (Portugal). A autora analisa as estratégias desenvolvidas com as comunidades e grupos numa dupla perspectiva, por um lado, enquanto participantes na construção de narrativas contemporâneas sobre património cultural (material e imaterial) e identidade e, por outro lado, enquanto públicos locais no contexto de estratégias de captação de públicos diversos. Uma abordagem histórica dos percursos e contextos institucionais de cada um dos museus revelou as suas especificidades e diferenças, enquanto o balanço comparativo perspectivou problemas e motivações partilhados.

Os museus etnográficos estão entre os museus que mais desafios têm enfrentado nas últimas décadas e onde o tema da diversidade cultural interpela de forma transversal as várias frentes de actuação – desde as colecções, à documentação e investigação, às exposições, ao envolvimento de públicos e comunidades, à deontologia, à gestão e ao financiamento. Como demonstra esta obra, a contemporaneidade convoca mudanças significativas na forma como os museus se organizam e no fortalecimento da sua função social.”

Ana Carvalho é doutorada em História e Filosofia da Ciência – especialização em Museologia – e Mestre em Museologia pela Universidade de Évora. Publicou Os Museus e o Património Cultural Imaterial: Estratégias para o Desenvolvimento de Boas Práticas (Colibri, 2011) e organizou a publicação digital Participação: Partilhando a Responsabilidade (Acesso Cultura, 2016).

É autora do blogue No Mundo dos Museus e editora do boletim do ICOM Portugal. É uma das fundadoras da revista MIDAS – Museus e Estudos Interdisciplinares, juntamente com Alice Semedo, Paulo Simões Rodrigues, Pedro Casaleiro e Raquel Henriques da Silva.

Actualmente é investigadora de pós-doutoramento no Centro Interdisciplinar de História, Culturas e Sociedades (CIDEHUS) da Universidade de Évora, com uma bolsa da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), e membro da equipa da Cátedra UNESCO em Património Imaterial da mesma Universidade. A autora investiga as implicações das orientações da UNESCO para o Património Cultural Imaterial no contexto das políticas nacionais e locais, em particular a partir da perspectiva dos museus.

A colecção Estudos de Museus publica teses de doutoramento cujos temas se relacionem com os museus sob a tutela da Direção-Geral do Património Cultural. Foram este ano publicados três volumes pela seguinte ordem: Museus, Arte e Património em Portugal: José de Figueiredo (1871-1937), de Joana Baião, Redes de Museus e Credenciação: Uma Panorâmica Europeia, de Clara Frayão Camacho e Criatividade nos Museus: ‘Espaços Entre’ e Elementos de Mediação, de Inês Ferreira. Os títulos a publicar são selecionados por um comité editorial constituído por um representante da Caleidoscópio e da Direção-geral do Património Cultural e por académicos de várias universidades portuguesas.

Nota: O livro está à venda nas lojas dos museus nacionais e no circuito comercial. Poderá ser adquirido online via Wook: https://www.wook.pt/livro/museus-e-diversidade-cultural–ana-carvalho/18868052

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ÍNDICE

Introdução

Museus, multiculturalismo, interculturalidade e diversidade cultural
Do multiculturalismo à interculturalidade
Diversidade cultural, acessibilidade e participação
Museus e imigração
Práticas museológicas e diversidade cultural: um balanço

Colecções etnográficas e diversidade cultural
De curiosidades a objectos etnográficos
Museus etnográficos na Europa pós-colonial

Museum of World Culture
Um novo museu para Gotemburgo
Fim de um ciclo
Um museu de outro tipo
Estratégias para a diversidade
Públicos: Mais e diversos
Exibindo a diversidade através da multivocalidade
Imigração: Tópico da cultura do mundo
Mudança Social
Participação local: uma rede de embaixadores
Colecções e imigrantes
Património imaterial: memória e identidades
Um museu em transição

World Museum Liverpool
Liverpool, desenvolvimento e museus
World Museum Liverpool, um museu multidisciplinar
Diversidade na agenda nacional: investimento e instrumentalização
Diversidade: da periferia para o coração dos museus

Museu nacional de Etnologia
De Museu de Etnologia do Ultramar a Museu Nacional de Etnologia
Uma exposição permanente: O Museu, Muitas Coisas
Abordagens à diversidade cultural no panorama museológico nacional
Diversidade cultural: O outro aqui tão perto

Diversidade cultural, da representação a novos públicos: resultados e conclusões

Siglas e Acrónimos
Fontes e Bibliografia
Agradecimentos
Notas
Índice remissivo

Recensão de Ana Botas

Barbearia, Memórias. Museu Municipal de Alcochete 2013 © Ana Carvalho

Barbearia, Memórias. Museu Municipal de Alcochete 2013 © Ana Carvalho

Acaba de ser publicada na revista MIDAS (n.º 2, 2013) uma recensão do livro “Os Museus e o Património Cultural Imaterial…” pela antropóloga Ana Botas (Museu Nacional de Etnologia). Divulgamos o texto aqui, mas pode também consultá-lo no site da revista: http://midas.revues.org/292 

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Ana Carvalho é museóloga e investigadora do Centro Interdisciplinar de História, Culturas e Sociedades da Universidade de Évora (CIDEHUS-Universidade de Évora) desde 2007. Dá atualmente continuidade à sua pesquisa em torno dos museus e da diversidade cultural, no âmbito do seu projeto de doutoramento e enquanto bolseira da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT). É autora do blogue galardoado com um prémio APOM, No Mundo dos Museus, no qual dá destaque a notícias da atualidade na área da museologia em Portugal.

Este livro resulta da publicação da sua dissertação de mestrado em museologia realizada na Universidade de Évora, defendida em 2009, e revista para publicação em 2011.

Este trabalho tem como ponto de partida uma reflexão em torno dos desafios que se colocam aos museus portugueses na sequência do crescente debate promovido pela UNESCO em torno da salvaguarda do património, conceito que ao nível político tem vindo a ganhar novos contornos, alargando-se a manifestações da esfera do imaterial, e que culminou na adoção da Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial, em 2003. Na sequência da sua ratificação pelo Estado português em 2008, foi atribuído ao recém-criado Instituto dos Museus e da Conservação, através do Departamento do Património Imaterial, a responsabilidade de dar cumprimento às diretrizes internacionais no domínio das políticas de salvaguarda do património e de acompanhar o desenvolvimento de legislação específica nacional nesta área.

É neste sentido que a autora justifica a necessidade de aprofundar este tema relacionando-o com os museus. Para além do reconhecimento dos museus como agentes importantes na salvaguarda deste tipo de património pelo ICOM, a tutela organizacional atribuída a este domínio em Portugal coloca claramente as instituições museológicas no cerne do trabalho a desenvolver nesta área. Algumas das questões que este trabalho pertinentemente levanta prendem-se precisamente com a real capacidade dos museus em corresponderem a esta demanda. De facto, os museus poderiam apresentar-se inquestionavelmente como atores privilegiados neste processo, pelas competências e procedimentos no domínio do património que já têm instituído; no entanto, o que a autora nos demonstra e justifica, é que a prática museológica tem revelado um maior pendor para a cultura material pondo em evidência previsíveis dificuldades para os museus neste domínio.

Apresentado introdutoriamente o tema do seu trabalho, sucedem-se três capítulos nos quais a autora desenvolve, respetivamente, o enquadramento histórico do trabalho desenvolvido pela UNESCO ao nível do património que conduziu à Convenção de 2003; enfoque no contexto nacional e nas consequências no quadro normativo português do alargamento da noção de património aos domínios do imaterial; e finalmente, uma reflexão sobre o papel dos museus na salvaguarda do património imaterial, com algumas linhas orientadoras a ter em conta pelos museus, a partir de alguns estudos de caso exemplificativos de boas práticas.

Como a autora bem destaca, a designação de património cultural imaterial (PCI) não é mais do que um conceito de natureza política que não traz noções novas ao modo como já vinha sendo entendido o património, nomeadamente em áreas do saber como a antropologia. Para esta os bens materiais já eram parte inalienável de um sistema mais alargado, composto pelo conjunto das crenças, saberes, práticas, valores e tradições de uma dada comunidade, distinguindo-a de outras, constituindo assim a diversidade cultural.

A autora percorre de forma cuidada as principais iniciativas e normativos desenvolvidos pela UNESCO que conduziram ao amadurecimento da Convenção de 2003, numa análise articulada com o contexto político em que foram surgindo, expondo ao mesmo tempo a gestação de conceções embrionárias de PCI subjacentes e as áreas de atuação que foram permanecendo lacunares.

Para além da atualização de um conceito que importava fazer, a promoção do debate em torno destas questões pela UNESCO, é também justificada neste livro pela necessidade política de cobrir as manifestações culturais que escapavam ao regime jurídico criado pela Convenção para a Proteção do Património Mundial, Cultural e Natural de 1972.

Apesar dos avanços importantes dados pela UNESCO em matéria do património que viria a ser designado de PCI, entre as quais se destacam a Recomendação para a Salvaguarda da Cultura Tradicional e do Folclore em 1989, o Programa das Línguas em Perigo e o Programa Tesouros Humanos Vivos, em 1993; nenhuma foi tão marcante para o PCI, quanto a Convenção de 1972 o foi para o património material. O Programa da Proclamação das Obras Primas do Património Oral e Imaterial da Humanidade, em 1997, é aqui apontada como a medida que mais atenção terá feito recair sobre o PCI ao nível internacional.

Em matéria de legislação nacional, a autora introduz a Lei n.º 13/85 com um caráter inovador, na medida em que já contemplava na sua noção de património cultural, não apenas os bens materiais, mas também os imateriais. Esta veio a ser revogada pela Lei n.º 107/2001, mais ambiciosa e com posteriores desenvolvimentos em 2009, com o Decreto-Lei n.º 139/2009 que estabelece o regime jurídico de salvaguarda do PCI, e em 2010, com a Portaria n.º 196 a regulamentar os procedimentos administrativos para a submissão de candidaturas ao Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial.

Na análise detalhada que a autora faz do quadro jurídico nacional, perpassa a noção de que este acompanhou os desenvolvimentos internacionais nesta matéria, seguindo bem de perto a Convenção de 2003 no que se refere aos vários domínios entendidos como PCI, à importância do papel ativo das comunidades ou grupos de pertença desse património nas medidas de salvaguarda e à obrigatoriedade da realização de inventários.

No contexto da museologia, a autora acompanha as principais orientações do ICOM que vêm naturalmente corroborar o apoio deste à Convenção, focando a necessidade dos museus se desviarem de uma linha de trabalho mais focada na cultura material. Nesse sentido, são referidas iniciativas diversas: a que deu origem à Carta de Shangai (2002), com as suas recomendações dirigidas ao trabalho dos museus neste domínio; a escolha do tema Museums and Intangible Heritage para o Dia Internacional dos Museus (2004); a Declaração de Seoul(2004) e as suas resoluções assentes na ideia do PCI como garante da preservação da diversidade cultural, a criação da publicação International Journal of Intangible Heritage (2004) e o trabalho desenvolvido pelos vários comités do ICOM, com destaque aqui para o ICTOP, nomeadamente pela revisão que este fez em 2008 do ICTOP – Curricula Guidelines for Professional Development, alargando as competências atribuídas aos profissionais dos museus com novas valências no domínio do PCI e contemplando menções a este em todas as funções museológicas “este documento propõe uma visão do património que integra o PCI, entendido como um princípio-base de atuação e parte fundamental das estratégias e políticas museológicas, e que, por sua vez, é incorporado em todas as atividades, desde investigação, interpretação, comunicação e educação” (p. 109). Exceção é feita ao CIDOC no domínio das recomendações para a documentação nos museus que ainda não terá ido tão longe num dos seus documentos de referência – Statement of Principles of Museum Documentation (2007) no qual ainda se constata uma ausência de alusões explícitas ao PCI.

A autora avança com uma exposição realista das dificuldades que acometem muitos museus e que não favorecem a atuação pretendida em relação ao PCI, das quais destacamos: a ausência de uma alusão ao PCI na missão da maioria dos museus, resultado de um trabalho tradicionalmente centrado nas coleções; os recursos humanos, técnicos e financeiros limitados; risco de cristalização de um património por natureza, vivo e dinâmico, pela sua sujeição a procedimentos técnicos de inventário já normalizados mas vocacionados para bens materiais; necessidade de formação específica; e recorrência da distância entre os museus e as comunidades, apesar de já não ser nova a ideia da participação da comunidade no museu, muito defendida pela chamada nova museologia.

Atendendo à complexidade e extensão que o PCI adquire e às limitações de cada museu, Ana Carvalho simplificou três abordagens distintas possíveis, no modo dos museus poderem atuar neste domínio de acordo com as suas características: enquanto catalisadores, partindo do museu a mobilização das comunidades e a sensibilização para a salvaguarda do PCI; enquanto mediadores, cabendo-lhes a coordenação de projetos ou o apoio a projetos em curso nas comunidades; e enquanto espaço em si mesmo, disponibilizando os seus recursos (salas de exposição, arquivos, equipamento audiovisual) ao serviço da comunidade.

Destacando algumas áreas de atuação dos museus, designadamente o inventário e documentação, a investigação, as exposições, a educação e o uso de novas tecnologias, a autora aponta ainda de uma forma otimista as potencialidades que contêm, ilustrando-as com alguns exemplos de casos de boas práticas, no panorama nacional e internacional, que revelam experiências bem-sucedidas.

Ainda que no plano institucional seja o Instituto dos Museus e da Conservação a entidade responsável em Portugal pela implementação das orientações da UNESCO em matéria de PCI, este trabalho coloca em evidência a necessidade da criação de redes entre parceiros de diferentes naturezas, entre eles os museus, caso contrário, correr-se-á o risco de não se conseguir abranger um património tão vasto.

Na perspectiva de Graça Filipe…

Graça Filipe, © Câmara Municipal do Seixal. Foto daqui.

Graça Filipe © Câmara Municipal do Seixal. Foto daqui.

Convidámos Graça Filipe a fazer um comentário sobre o livro que escrevemos “Os Museus e o PCI”, que se transcreve em baixo. É justo dizer que Graça Filipe é uma das personalidades de referência na museologia portuguesa e por quem temos muita admiração. Actualmente a trabalhar no Ecomuseu Municipal do Seixal, ao qual retornou depois de uma passagem pelo Instituto dos Museus e da Conservação como subdirectora (pode encontrar uma biografia aqui). AC

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“Consideramos o livro de Ana Carvalho uma obra oportuna e de utilidade para nos inteirarmos do reconhecimento institucional e legal do denominado Património Cultural Imaterial (PCI) e do domínio da ação patrimonial que se lhe associa (ultrapassando tendencialmente o campo de investigações de antropólogos e de sociólogos) e que, entre múltiplos questionamentos, se tem convencionado, como no caso português, reportar principalmente aos museus.

Os três capítulos que constituem este livro tratam e sintetizam as contribuições da UNESCO para a proteção do Património Cultural Imaterial (PCI), o enquadramento normativo e institucional em matéria de PCI em Portugal e as estratégias dos museus para o PCI. A autora teve a preocupação de apresentar estudos de caso, visando evidenciar boas práticas.

As abordagens feitas por Ana Carvalho sobre as experiências que alguns museus já desenvolvem para a salvaguarda do PCI clarificam as insuficiências do trabalho e dos projetos em curso, apesar de apontarem perspetivas e metodologias que as funções museológicas potenciam, por exemplo em termos de comunicação. Assim, este livro serve também para nos ajudar a analisar e a refletir criticamente sobre a relação da instituição museal com o património – sabendo-se que poucos dispõem dos recursos necessários à interação com as comunidades, autênticas protagonistas das manifestações culturais e detentoras do património cultural a salvaguardar – num desejável sentido vivenciado e na ótica da sua transmissão ativa, que verdadeiramente possa contribuir para a diversidade e a criatividade cultural.

Sendo uma das investigadoras que mais atenção tem dado a esta problemática, esperamos que Ana Carvalho a possa aprofundar e desenvolver novas vertentes de aplicação do seu estudo, tanto mais que a orientação política conferida às orgânicas institucionais, e mesmo à aplicação dos instrumentos legais de enquadramento do património cultural em Portugal, convoca uma urgente reperspetivação de modelos operativos, de agentes e de práticas.”

Lisboa, 24 de Dezembro de 2012

Graça Filipe

Comentários de Hugues de Varine

Hugues de Varine, Set. 2012, Moinho de Maré de Corroios, Ecomuseu Municipal do Seixal (Portugal). © Ana Carvalho

Hugues de Varine, Set. 2012, Moinho de Maré de Corroios, Ecomuseu Municipal do Seixal (Portugal) © Ana Carvalho

Transcrevemos, em baixo, o comentário que Hugues de Varine fez sobre o livro no seu blogue world-interactions.eu. (Bio de Hugues de Varine aqui). AC

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“Je viens de recevoir, du Centre interdisciplinaire Histoire, Cultures et Sociétés de l’Université de Evora (Portugal), un ouvrage de Ana Carvalho intitulé “Os Museus e o Património Cultural Imaterial” – Estratégias para o desenvolvimento de boas pràticas, Edições Colibri, CIDEHUS, 2011, 196 p.

Cet ouvrage est très utile pour donner à la fois l’histoire et le contenu de tout le mouvement relativement récent (années 2000) de prise en compte du patrmoine immatériel dans la définition du patrimoine global des territoires et des populations. et dans les pratiques des musées. Ana Carvalho y présente à la fois la “doctrine” de l’Unesco et des organisations internationales, et sa mise en pratique au Portugal.

Cela m’amène, sur ce sujet si important à faire deux observations, qui ne sont pas des critiques du livre, mais que je veux exprimer à cette occasion:

 – il n’est pas possible de séparer immatériel de matériel: ce sont généralement les musées qui, en “stérilisant” des objets de collection pour les protéger (conserver), ont souvent oublié tout ce qu’un objet matériel peut comporter d’immatériel, c’est à dire de “culturel”. Les anthropologues l’ont compris depuis longtemps, mais les conservateurs de musées d’art, en particulier, mais aussi de beaucoup de musées d’archéoàlogie, d’histoire, d’arts dits “primitifs”,  ont imposé leur jugement (immatériel mais non patrimonial) sur des objets qu’ils considèrent d’abord comme des oeuvres d’art, même s’ils sont en réalité autre chose et bien plus.

– c’est en particulier vrai pour tous les objets d’origine et de signification religieuse, quelle que soit la religion qui leur a donné naissance. Qu’il s’agisse d’ignorance, d’athéisme militant, de sectarisme d’historien d’art ou seulement  d’esthétisme, cette séparation de l’objet de son sens profond, tel qu’il a été voulu, non seulement par son auteur, mais aussi par la personne ou la société qui en a été commanditaire, est à l’origine de contresens qui trompent plus ou moins sciemment la personne qui regarde cet objet.

On aimerait que ces idées fassent l’objet de plus de débats de fond. HdV”

(Fonte: http://www.world-interactions.eu/10-index.html, 3 de Junho de 2012)

Nas lojas dos museus IMC

Loja Museu Nacional de Etnologia © Ana Carvalho, Maio 2012

Loja do Museu Nacional de Etnologia © Ana Carvalho, Maio 2012

O livro “Os Museus e o Património Cultural Imaterial…” já se encontra disponível para venda nas lojas dos Museus do Instituto dos Museus e da Conservação (IMC).

Porque falamos hoje de Património Cultural Imaterial? Este livro esclarece sobre a importância que a salvaguarda do PCI tem vindo a assumir nas políticas culturais na sequência do trabalho desenvolvido pela UNESCO, muito particularmente com a Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial (2003). São vários os agentes envolvidos na preservação deste património, nomeadamente os museus. Mas para responder a este repto, os museus terão que repensar as suas estratégias de forma a relacionar-se mais com o PCI, contrariando uma longa tradição profundamente enraizada na cultura material. Este estudo reflecte sobre as possibilidades de actuação dos museus no sentido de dar resposta ao desafios da Convenção 2003, sendo certo que a partir das actividades dos museus é possível encontrar formas de estudar e de dar visibilidade a este património.

Ana Carvalho é doutoranda em Museologia na Universidade de Évora, Portugal.

“Os Museus e o PCI” à venda nas livrarias

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O Livro “Os Museus e o Património Cultural Imaterial” está à venda nas seguintes livrarias:

Livrarias das Edições Colibri: http://www.edi-colibri.pt/Detalhes.aspx?ItemID=1573

Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
Av. de Berna, 26-C 1069-061 Lisboa
tel/Fax: 21 795 11 89
horário: 9h00 às 13h00 e 14h00 às 18h00

Faculdade de Letras de Lisboa
Alameda da Universidade 1600-214 Lisboa
tel/Fax: 21 796 40 38
horário: 9h00 às 19h00

Fnac: http://www.fnac.pt/Os-Museus-e-o-Patrimonio-Cultural-Imaterial-Ana-Carvalho/a554432?PID=5&Mn=-1&Ra=-1&To=0&Nu=1&Fr=0

Bertrand: http://www.bertrand.pt/ficha/os-museus-e-o-patrimonio-cultural-imaterial?id=12502656

Almedina: http://www.almedina.net/catalog/product_info.php?products_id=18836

Wook (livraria portuguesa online, grupo Porto Editora): http://www.wook.pt/ficha/os-museus-e-o-patrimonio-cultural-imaterial/a/id/12502656

E ainda:

Centro Interdisciplinar de História, Culturas e Sociedades da Universidade de Évora (CIDEHUS) (http://www.cidehus.uevora.pt/)
Palácio do Vimioso
Apartado 94, 7002-554 Évora – Portugal
e-mail (Madalena Freire): mvfreire@uevora.pt
Telefone: +351 266706581